
O treinamento pode ser dividido em quatro fases distintas durante o ano, que são: o período de base, o período específico, período de manutenção, e período de perda, que são repetidos em dois ciclos durante cada ano. A divisão do treinamento em fases, permite ao organismo recuperar-se e melhorar seu rendimento a cada ciclo.
Como estamos iniciando um novo trabalho discorrerei sobre o período de base e a importância da força para o corredor. O período de base é segundo minha opinião, o de maior importância no ciclo de treinamento, pois é o período que dará ao atleta todo um alicerce de sustentação muscular devido ao aumento do trabalho de força, diminuindo o risco de lesões. Segundo Barbanti, 2004 pg. 102. A força é entendida como a capacidade de um músculo ou um grupo muscular tem de produzir tensão e se opor a uma resistência externa num determinado tempo ou velocidade. Para Platonov, 2000. pg. 33. A força no ser humano pode ser entendida como a capacidade de vencer, suportar ou atenuar uma resistência mediante a atividade muscular. Citei duas definições de força dentre milhares que existem, para nós o importante é saber qual a real importância de se desenvolver a força dos corredores de fundo.
O ideal para o desenvolvimento da força seria realizarmos seções de musculação durante o ano todo, modificando a intensidade e repetições durante cada período de treinamento, porém como a grande maioria não tem condições de pagar uma academia fazemos este trabalho mais específico na pista com os circuitos de força que não substituem uma academia, más que são uma grande ferramenta para os atletas. Outro fator interessante seria após o período de base realizar estes exercícios em casa como forma de manter parte da força adquirida.
Então o que ocorre no músculo decorrente do treino de força? Basicamente a um aperfeiçoamento do mecanismo neurorreguladores (os impulsos elétricos e a coordenação entre e intramuscular, se tornam mais eficientes) a um aumento da potencia e da mobilização da via lática de fornecimento energético para a contração muscular. (PLATONOV, 2000). Deste modo o sistema muscular se torna mais forte e mais eficiente.
Barbanti, 2004 nos alerta que para o ganho de força ser efetivo o treinamento deve se pautar na correta aplicação dos princípios científicos, como intensidade, volume, intervalo de recuperação e freqüência de treinamento. O mesmo autor afirma que se deve propiciar um intervalo de 48 horas para a realização de novos estímulos no mesmo grupo muscular, dando assim tempo para o músculo assimilar o treinamento e se regenerar dos danos causados com os exercícios.
Então podemos concluir que o trabalho de força acarreta grandes benefícios para os corredores de fundo, sendo este indispensável em qualquer prática física desde uma leve caminhada até uma maratona ou mesmo nas atividades do dia-dia. Como praticantes uma atividade sempre buscando saúde, aconselho todos os atletas a investirem nesta prática do trabalho de força. Após este período passarei a todos os praticantes uma tabela de exercícios a serem realizados em casa. No próximo texto abordarei a segunda fase do treinamento o período específico. Um grande abraço a todos.