Durante a corrida o aumento da frequência cardíaca é desencadeada pela
necessidade do organismo de receber mais oxigênio para que o atleta continue a
manter seu ritmo de corrida, se este limite for ultrapassado, falta oxigênio
para o trabalho e o lactado começa a se formar, limitando assim o trabalho
físico.
Assim encontramos o motivo pelo qual manter o ritmo cardíaco é a melhor
forma de se conseguir bons resultados. Se corrermos dentro deste limite de
fornecimento de oxigênio do organismo o trabalho será sempre aeróbico. Porém
qual seria este ritmo a ser seguido?
A intensidade da frequência cardíaca deve corresponder a seus
objetivos; para se perder peso deve-se correr por um tempo maior mantendo um frenquência
de 55 a
65% da máxima estipulada, entre 65% e 80% já estamos trabalhando uma melhora no
sistema aeróbico, melhorando assim nosso condicionamento e acima de 80 % o
esforço já será um trabalho intenso elevando o limiar anaeróbico (produção de
lactato). É a correta utilização destas intensidades durante os ciclos de treinamentos que fazem os corredores terem uma
melhora mais eficiente.
Sendo assim podemos nos perguntar, corredores de elite geralmente usam
frequencimetros nos seus treinos? Acho que a maioria das respostas será um
grande não, más por quê? O motivo é simples quando treinamos por muitos anos
aprendemos a ter uma percepção de esforço, ou seja, um atleta experiente não
necessita ter um monitor para treinar na intensidade correta, ele já aprendeu
isso durante décadas de treinamento e mesmo porque seu treino se baseia muito
em ritmos de distâncias e tempos.
Agora vem a questão, devo jogar meu monitor fora? Claro que não, quem
sabe utilizar este artifício, tem uma ferramenta a mais para melhorar.
Principalmente aqueles que estão iniciando na corrida devem ter um monitor e
procurar seguir as intensidades pré-estabelecidas, porém o monitor não deve ser
uma muleta impedindo o atleta de melhorar, pois o que ocorre é que muitos
atletas iniciantes ficam presos àquela famosa fórmula de Karvonen que é 220 – a
idade, e treinam baseados nela. Há pessoas que a freqüência máxima é bem
diferente do que a apresentada na fórmula. Possuo atletas que atingem
freqüências de 195 batimentos em treinos, possuindo 37 anos como o Marcos
Rogério e outros que poderiam atingir um ritmo maior, porém nos treinos mais
fortes ficam abaixo deste limite.
O correto é fazer um teste de esforço ergométrico para se ter a
freqüência real e a partir deste resultado traçar seus objetivos.
Outro fator que devemos nos ater é que se vou fazer um treino que minha
freqüência deva ficar em 65% da máxima e escolho um percurso com muitas subidas
dificilmente manterei aquela freqüência, pois durante a subida meu batimento
aumentará consideravelmente apesar de estar correndo no mesmo ritmo.
Então observamos que o monitor cardíaco é uma excelente ferramenta para
auxiliar no treinamento de qualquer atleta, principalmente os iniciantes, porém
a percepção de esforço do atleta deve ser treinada juntamente, pois o dia que
você não tiver o monitor poderá treinar seguramente dentro do estabelecido, por
isso você que usa monitor utilize ele em seu auxilio não como um objeto
limitador, procure um médico para avaliar sua real frenquência cardíaca máxima
e tenha um excelente companheiro de corrida.
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